Cunha, o incendiário do Planalto Central

Eduardo Nero da Cunha tem sete vidas, contra uma de Dilma Sapiens Rousseff. O placar de 7 x 1 lhe é amplamente favorável, mesmo com Lulla Pixuleco da Silva como manager e dirigente do governo.

Itiberê Muarrek | 08.10.2015

Para cada ataque do governo contra Eduardo Nero da Cunha, o governo recebe sete porradas de Cunha e seus aliados. Sete a um eterno.

O incendiário

Cunha é um animal político como Pixuleco, mas sua base é o Congresso, não precisa de sustentação nacional para manter-se no poder, basta-lhe seus pares do Congresso.

Pior para Lulla e sua governanta anta-manca, pois o Congresso tornou-se independente do poder do dinheiro do Executivo ... por falta de dinheiro. A incompetência da governanta provou-se absoluta, incontestável, ao ponto de ter feito Lulla ter voltado a trabalhar!

A tentativa do governo , através do estrategista Pixuleco, em enquadrar o TCU e TSE, minar a PF e dividir o PMBD, cedendo-lhe sete Ministérios aos adversários internos de Cunha deu com os burros nágua.

Além da reação dura, direta e assertiva dos representantes das instituições atacadas contra o governo, este se viu obrigado a atender os demais partidos não beneficiados a exigirem seus Ministérios também. Isso está ocorrendo dentro da base aliada!

Essa insatisfação gerou perda de apoio generalizado e fez o governo não conseguir quórum para votar os vetos a nenhuma das pautas-bomba que são exigências para se conseguir um mínimo de ajuste fiscal que ao menos estanque a pauta negativa cotidiana que o governo enfrenta.

Cunha esvaziado no ato de distribuição dos Ministérios ao seu PMDB, mas com poder de esvaziamento e insaciável desejo pirotécnico de ver Brasília queimar é ainda mais perigoso. A tentativa de Pixuleco em dar poder a Leonardo Picciani, um eleitor de Aécio Neves, líder do PMDB com estatura e desejo de substituir Cunha da presidência da Câmara foi mais tiro nágua governista.

Ao invés de colocar Cunha nas cordas, a divisão do PMDB e a fragmentação dos partidos aliados deixaram Picciani isolados num plenário vazio e como parceiros de um governo impopular. Cunha incendiou os egos feridos dos partidos preteridos, isolou parte do próprio PMDB e passou a desengavetar com mais altivez os pedidos de impeachment que, somados às decisões do TSE e TCU deixam qualquer aliado governista no chão em popularidade com a população.

Nesse cenário de egos feridos e Brasília em chamas, por vezes é avistado algum tucano costurando acordos e fazendo discursos de responsabilidade ou moralidade política. Nada mais patético do que ver o PSDB deixado de lado por si mesmo, não há espaço para "muro" na altura do jogo como apoiar os atos de Cunha sem apoiar o próprio Cunha.

Em meio a tanto descrédito da população com os partidos e seus representantes, Cunha mantem-se atirando e no front da batalha, derrotando seus algozes e criando condições para sobreviver enquanto seus inimigos (o governo) sobreviverem.

Cunha só se retirará ou será retirado depois do governo ser destruído pelo fogo que ele fomenta e foi criado pelo próprio governo. Difícil saber que político sobreviverá às queimaduras deste incêndio monumental e quantos outros sairão chamuscados.

Brasília queima por inteira e terá que ser reconstruída por políticos de uma nova safra e, talvez, mais alguns dos atuais que conseguirem sair desta crise sem queimaduras.

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