Por que Ecos ?

Ecos é a síntese do significado somado de ecologia com economia . Pensar “o todo” é saber trabalhar pela sobrevivência pessoal dentro do coletivo humano e das formas de vida que nos sustentam.

Itiberê Muarrek | 23.11.2015

O planeta está integralmente ocupado pelos seres humanos. Em cada local que permita sobrevivência ou atividade econômica há uma Ação Humana que provoca reação em outro espaço também ocupado por outro ser humano ou formas de vida que sustentam seres humanos. Pensar “o todo” é saber trabalhar pela sobrevivência pessoal dentro do coletivo humano e das formas de vida que nos sustentam.

Ecos

Ecologia, economia, sustentabilidade, inovação, extinção, reserva, expansão, consumo, restrição... Tudo ao mesmo tempo agora, o indivíduo conectado nas redes sociais e politizado ou ativo aos movimentos de transformação do mundo neste século XXI virou um especialista genérico de tudo. Tudo nos importa, nossa vida e a de quem está do outro lado do mundo. O “efeito borboleta” da Teoria do Caos, ao menos no plano virtual, já opera transformações na mente do indivíduo e, virtualmente, fazemos política transnacional através de petições e cartas abertas pelas redes sociais.

Em parte, é assim que tem que ser. Pois a morte do Rio Doce em Minas Gerais e seus efeitos no meio ambiente dos oceanos atingirá cerca de 10 milhões de pessoas, além da perda irreversível de eco-sistemas complexos e saudáveis à vida dos humanos e do próprio entorno meio-ambiental. Uma incrível sucessão de efeitos ocorrerão para além das mortes do meio-ambiente em questão, pois essas 10 milhões de pessoas se deslocarão, pressionarão e modificarão outras comunidades, compartilharão recursos naturais já escassos e pressionados de outras regiões. E é assim que tem que ser e isso que ocorrerá.

A criação e crescimento do Exército Islâmico é a outra face da mesma moeda. Sua ação beligerante e destrutiva destruiu mais queas vidas humanas e ambiental local. Ter aniquilado regiões férteis e obrigado deslocamento maciço de populações, desestabilizando outras sociedades e culturas, gerando um rastro de problemas que só serão solucionados com políticas que geram deseconomias, ou seja, com investimento maciço em reconstrução de vidas fragmentadas e gastos militares para conter a barbárie. Uma economia da destruição ao invés de uso de recursos para expansão sócio-ambiental, com a inda presssão de milhões de refugiados disputando recursos escassos com as sociedades que os acolhem.

Ambos os problemas, agora, tema força de “efeito borboletas” que batem freneticamente suas asas e ressoam por vários cantos do planeta. Três fatores principais unem as sociedades e nossa interdependência pela sobrevivência e bem-estar:

- Superpopulação nos últimos 100 anos gerou a ocupação de todos os territórios em busca de recursos naturais e, simultâneamente, gerou a urbanização acelerada pelas ofertas de novos trabalhos e bem-estar e forte demanda de recursos naturais

Crescimento populacional - mapas
Urbanização

- Produção interdependente entre unidades espalhadas por todas as regiões do globo com especialização de produção por países, gerando às sociedades consumo de bens básicos dependente de mercados externos

Centros e periferias do mundo (1992)

A queda da barragem em Minas Gerais e o Estado Islâmico são exemplos extremos que ilustram a urgência e servem de alerta à nova condição dos indivíduos de cada sociedade, que é a de pensarem como podem trabalhar em sua Casa ou ôikos ou Eco para garantir-lhe bem-estar econômico , social e ambiental. A economia e a ecologia encontram-se dentro da Casa de cada indivíduo, onde mora e onde trabalha, se encontra nos locais em que se reúne com outros próximos e nas vias que lhe servem de deslocamento. A ação política de um indivíduo, seus próximos e sua sociedade ampliada podem determinar níveis de uso de recursos como água e tratamento de dejetos que interferem na saúde coletiva e do meio ambiente local e de outras localidades – como sociedades ribeirinhas ou litorâneas que param de receber dejetos. No plano coletivo, a determinação do ecos a seguir pode detrminar uma política pública local ou ampliada (estadual ou federal) que regirá normas e investimentos que otimizem a vida coletiva do indivíduo e seu meio-ambiente.

Esse pensar o ecos é privado, individual, familiar, mas sua aplicação é ampliada até a Pólis no sentido mais amplo. Vale lembrar que as origens da palavra econômico ou economia vem da Antiguidade, é a soma da palvra grega “Ôikos”, casa,e Nomia ou Nomos, costumes ou lei, as leis ou costumes que administram a casa, a residência e o local de trabalho, a propriedade agrícola e a comercial, lugar de defesa de seus interesses particulares e pessoais. A economia como estado privado, a “pólis” como coletivo, o lugar social do cidadão, o lugar da política.

Já a palavra ecologia é um neologismo cunhado pelo Ernest Haeckel alemão (1834-1919) utilizando as palavras gregas Ôikos, casa, e Logia, estudo, dando lhe o sentido de estudar o habitat dos seres vivos. Em resumo, a ecologia é a ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si e com o meio ambiente.

Ambos os termos referem-se ao local de vida do indivíduo, do ser humano, não pode mais haver dicotomia entre o meio-ambiente e o meio-social, ambos estão conectados e devem ser tratados em conjunto.